facebooktwitterlinkedinfacebooktwitterlinkedin

O termo internet das coisas (Internet of Things na sua sigla inglesa) começou a ser utilizado por volta do ano 2000, cunhado pelo visionário empreendedor britânico Kevin Ashton. Pretende essencialmente designar a rede internet que interliga dispositivos físicos associada aos respetivos sistemas, protocolos e aplicações. Embora este enquadramento seja relativamente recente, a tecnologia que suporta a generalidade das aplicações está disponível há dezenas de anos e em aplicação em várias indústrias. Desenvolvimentos recentes melhoraram a capacidade e tipos de aplicações possíveis mas, no essencial, não foram evoluções disruptivas.

A miniaturização da eletrónica, a tecnologia de baterias mais eficientes (um dos maiores desafios), a comunicação sem fios e a capacidade de desenvolver software que extraia valor acrescentado dos dados são as áreas mais relevantes para o tipo de negócios que se perspetivam.

Mas na verdade a IOT mantém-se ainda na sua infância, particularmente porque os modelos de negócios que permitem viabilizar a maior parte das aplicações não conseguiram ser ainda desenvolvidos. Trata-se essencialmente de um problema de entrega de valor efetivo, que seja percecionado pelos consumidores e que permita o surgimento de negócios mais sustentáveis e massificados.

A busca deste valor requer experimentalismo, uma vez que a abordagem utilizada para o desenvolvimento de outras tecnologias anteriores não será com certeza frutuosa. O paralelismo com o advento da internet e a sua evolução permite-nos concluir isso mesmo. O experimentalismo requer organizações flexíveis, adaptáveis, que possam alterar o mindset rapidamente e que sejam tolerantes a falhas. Em resumo, que sejam o equivalente a start-ups tecnológicas.

Estas start-ups irão desempenhar um papel muito relevante na busca deste valor. Algumas vão vingar e transformar-se em Facebooks, Googles, etc., existindo oportunidades para o aparecimento deste tipo de empresas baseadas nas aplicações IOT. Há inclusive vários exemplos de organizações desta área com valorizações superiores a mil milhões de dólares. Mas haverá empresas que encontrarão o valor e falharão mais tarde, quando precisarem de o escalar, abrindo caminho para as empresas mais estabelecidas.

A procura deste valor requer um alinhamento cada vez maior com as necessidades das pessoas, pois a tecnologia por si só deixará de poder ser o driver da evolução.

Algumas áreas aparecem na dianteira do desenvolvimento da IOT: as aplicações para smartphones (uma das promessas ainda não totalmente conseguidas), o controlo do consumo de energia, a automação de tarefas domésticas e a informação real-time sobre a habitação. O advento dos wearables, dispositivos miniaturizados que aumentam o conhecimento sobre o nosso corpo ou maximizam os nossos sentidos, são a “moda mais recente”. Alimentada pelo recente lançamento do Apple Watch, esta parece ser uma das frentes que terá maior atenção nos próximos tempos. Em paralelo, muitos desenvolvimentos aplicam tecnologia semelhante para melhorar a vida independente dos seniores, garantindo-lhes um maior controlo das suas doenças crónicas, segurança, etc.

Muitas outras possibilidades estão a ser exploradas ainda de forma pouco integrada. Cada uma das utilizações tem uma aplicação de software disponível, onde para se fazer 3 coisas diferentes é necessário abrir outras tantas aplicações e quase nunca há capacidade para interligar os inputs e outputs destas 3 aplicações.

É necessário garantir que estes micro-ecossistemas se congregam numa rede mais integrada, que permita retirar todo o potencial das aplicações e multiplicá-lo de forma a encontrar o valor acrescentado que os utilizadores estejam dispostos a pagar.

O tempo ditará o caminho. Será certamente diferente daquele que foi traçado anteriormente por outras empresas, que surfaram a onda de outras tecnológicas. Será percorrido mais rapidamente, com erros e sucessos mais imediatos, tal como o ADN das organizações que liderarão o movimento.

facebooktwitterlinkedinmailfacebooktwitterlinkedinmail